03/08/2026 · Equipe Diário de Trades

Diário de trades grátis: o que registrar primeiro

Diário de trades grátis: o que registrar primeiro

Você não precisa começar com uma ferramenta complexa. Um diário de trades grátis pode ser uma planilha, um caderno ou um sistema com plano gratuito. O formato importa menos que a capacidade de registrar cada operação do mesmo jeito e revisar o que aconteceu sem depender da memória.

O diário também não reduz, por si só, o risco da atividade. A CVM classifica o day trade como uma operação de alto risco e destaca a necessidade de compreender suas características e gerenciar o risco.[2] O objetivo do registro é organizar evidências sobre a sua própria execução, não prever o próximo resultado nem prometer rentabilidade.

Comece com sete informações

Para cada operação, registre:

  1. data e horários: quando a primeira execução abriu a posição e quando cada saída ocorreu;
  2. ativo: o código negociado, incluindo o vencimento quando for um contrato futuro;
  3. direção: compra ou venda;
  4. execuções: preço e quantidade de cada entrada e saída;
  5. custos: os valores efetivamente cobrados;
  6. contexto: setup, motivo da entrada e regra de risco planejada;
  7. avaliação: se você seguiu o plano e qual lição levará para a próxima revisão.

Esse conjunto permite reconstruir a operação financeira e separar o resultado da qualidade da decisão. Campos adicionais, como emoção, imagem do gráfico e condições de mercado, podem ser incluídos depois que o hábito básico estiver funcionando.

Registre execuções, não apenas um preço médio

Uma operação pode ter uma entrada e três saídas parciais. Se o diário guardar somente um preço médio de entrada e outro de saída, você perde a sequência que explica como a posição foi administrada.

Use uma linha para cada execução:

Horário Lado Quantidade Preço
10:12 Compra 2 128.000
10:18 Venda 1 128.150
10:24 Venda 1 127.950

Os números são apenas um exemplo de preenchimento, não uma operação sugerida. O importante é preservar quantidade, preço, lado e ordem dos acontecimentos. Depois, agrupe as execuções que pertencem à mesma decisão.

Calcule sempre o resultado líquido

O resultado bruto mostra a diferença financeira antes das despesas. Para analisar o que realmente permaneceu depois da operação, use:

resultado líquido = resultado bruto − custos

Se uma operação teve resultado bruto de +R$ 50,00 e custos de R$ 3,00, o resultado líquido do exemplo é +R$ 47,00.

A Receita Federal inclui despesas efetivamente pagas, como corretagem, taxa de liquidação e emolumentos, na apuração do ganho líquido em operações de bolsa.[1] Por isso, não preencha os custos com uma estimativa fixa quando a nota ou o extrato da corretora trouxer o valor efetivo.

Para aprofundar o cálculo, leia como calcular o resultado líquido no day trade.

Separe fato, plano e avaliação

Uma anotação útil deixa claras três camadas:

  • fato: “comprei dois contratos, fiz uma parcial e encerrei o restante”;
  • plano: “a entrada exigia rompimento e limite de risco definido antes da ordem”;
  • avaliação: “a entrada respeitou a regra, mas a segunda saída foi antecipada”.

Evite notas vagas como “operei mal” ou “faltou disciplina”. Elas misturam julgamento e ação. Prefira uma frase verificável: “entrei antes do sinal previsto” ou “aumentei a quantidade sem registrar uma nova justificativa”.

O resultado financeiro e a qualidade da execução podem apontar em direções diferentes. Uma operação positiva pode ter quebrado o plano; uma negativa pode ter respeitado todas as regras. Registrar as duas dimensões evita transformar lucro em prova automática de acerto ou perda em prova automática de erro.

Use um modelo que caiba em dois minutos

Copie este bloco para começar:

Pregão:
Ativo e direção:
Execuções (horário, lado, quantidade e preço):
Resultado bruto:
Custos:
Resultado líquido:
Setup e motivo da entrada:
Regra de risco planejada:
Seguiu o plano? Por quê?
Lição para revisar:

Se um campo ficar vazio por vários pregões e nunca participar de uma revisão, retire-o. Se uma pergunta importante não puder ser respondida, acrescente o dado necessário. O diário deve evoluir a partir das decisões que você quer avaliar, e não de uma coleção infinita de colunas.

O que deixar para depois

No início, você não precisa de dezenas de tags, gráficos personalizados ou uma nota para cada sensação durante o pregão. Antes disso, confirme que consegue:

  • reconstruir todas as execuções;
  • conferir o resultado líquido após custos;
  • identificar qual regra orientou a entrada;
  • distinguir execução planejada de improviso;
  • contar quantas operações sustentam uma taxa ou média.

Uma taxa de acerto sem o número de operações pode dar uma impressão exagerada de precisão. Registre sempre o tamanho da amostra e o período ao comparar ativos, setups ou horários.

O diário não substitui os documentos fiscais

Use o diário para análise e revisão, mas preserve as notas e os extratos da corretora e faça a apuração tributária no fluxo apropriado. O manual do ReVar, da Receita Federal, trata separadamente resultados por modalidade, custos, prejuízos acumulados e memória de cálculo do imposto.[3] Uma anotação pessoal não deve ser tratada como substituta desses registros.

Para colocar o modelo em prática, siga os primeiros passos do Diário de Trades. Se ainda estiver decidindo onde registrar, compare diário de trades e planilha para day trade e escolha o formato que você consegue manter sem perder execuções nem custos.

Fontes

[1] https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/pagamento/renda-variavel/bolsa-de-valores-1 — Receita Federal — Bolsa de Valores [2] https://www.gov.br/investidor/pt-br/educacional/publicacoes-educacionais/cadernos/caderno-cvm-15-day_trade.pdf — CVM — Caderno 15: Day Trade [3] https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/pagamento/renda-variavel/manual/manual-de-utilizacao-do-revar-renda-variavel — Receita Federal — Manual de utilização do ReVar